Abuso de poder é quando alguém em posição de autoridade, seja no trabalho, na família ou em qualquer relação hierárquica, usa essa posição para intimidar, humilhar ou tirar vantagem de outra pessoa. No ambiente profissional, esse comportamento repetido ganha um nome específico: assédio moral.
O que caracteriza o assédio moral no trabalho
Assédio moral no trabalho é a exposição repetida e prolongada de alguém a situações humilhantes, constrangedoras ou degradantes, geralmente praticadas por quem ocupa uma posição de chefia ou de mais poder dentro da hierarquia. Não é um conflito pontual, nem uma crítica isolada sobre desempenho. É um padrão que se repete ao longo do tempo, com a intenção, consciente ou não, de desestabilizar a vítima.
Embora o exemplo mais comum apareça no trabalho, o abuso de poder segue a mesma lógica em outros contextos, como dentro da família ou em instituições, sempre que alguém em posição de autoridade usa essa posição para controlar ou diminuir outra pessoa em vez de exercer a função que lhe cabe.
Cobrança dura não é a mesma coisa que assédio
Nem toda liderança exigente pratica assédio moral. Feedback direto, mesmo quando incômodo, e cobrança por resultados fazem parte de qualquer ambiente de trabalho saudável.
O que diferencia isso do abuso é a intenção por trás do comportamento e o efeito que ele causa. Cobrança legítima busca melhorar o trabalho, enquanto o assédio busca diminuir a pessoa. Repetição e humilhação pessoal, em vez de crítica ao trabalho em si, costumam marcar essa diferença.
O tamanho do problema, segundo os números
Segundo a Pesquisa Mapa do Assédio no Brasil, da KPMG, quase um terço dos brasileiros sofreu algum tipo de assédio nos últimos doze meses, e 44% desses casos foram de assédio moral ou psicológico.
Na Justiça do Trabalho, o crescimento também aparece nos números: em 2020, foram 64 mil novas ações sobre o tema, e em 2024 esse número já tinha quase dobrado, chegando a mais de 116 mil processos. Isso mostra que o assédio moral não é um problema isolado ou raro, mas uma realidade presente em boa parte dos ambientes de trabalho no país.
As formas mais comuns de abuso de poder no ambiente profissional
Esse tipo de abuso aparece de formas variadas. Sobrecarga proposital de tarefas, isolamento da pessoa em relação ao restante da equipe, humilhação em reuniões e ameaças veladas sobre a permanência no emprego são exemplos comuns. Também é frequente o uso de metas inatingíveis como ferramenta de punição, ou a exclusão deliberada de informações importantes para o trabalho da vítima.
O impacto na saúde mental
Quem sofre assédio moral no trabalho por tempo prolongado costuma desenvolver ansiedade, insônia e, em muitos casos, sintomas de depressão. A pessoa começa a duvidar da própria competência profissional, mesmo quando o problema nunca foi o desempenho dela, mas sim o comportamento abusivo de quem está no comando.
Muitas vezes esses efeitos ultrapassam o ambiente profissional e afetam também relações pessoais e familiares, já que a pessoa carrega o desgaste emocional para fora do expediente. Em quadros mais graves, o assédio moral pode levar ao afastamento do trabalho por motivos de saúde.
O que fazer diante do assédio moral
Documentar cada episódio é um dos passos mais importantes, guardando e-mails, mensagens e anotações sobre datas e situações específicas. Conversar com colegas que testemunharam as situações também fortalece a denúncia, principalmente quando o comportamento do agressor costuma acontecer sem outras pessoas por perto.
Muitas empresas já são obrigadas por lei a manter canais internos específicos para receber denúncias de assédio moral e sexual, o que costuma ser o primeiro passo antes de buscar instâncias externas, como o Ministério Público do Trabalho. A legislação brasileira também protege quem denuncia contra qualquer forma de retaliação.
Buscar psicoterapia de apoio ajuda a reorganizar a autoestima e a clareza necessárias para tomar essas decisões em meio a uma situação desgastante, que não precisa ser enfrentada sozinha.




