Abuso Financeiro contra Idosos: quando o agressor é da própria família

mãos de um idoso segurando documentos, simbolizando abuso financeiro contra idosos

Abuso financeiro contra idosos é quando alguém usa ou controla o dinheiro, os bens ou o patrimônio de uma pessoa idosa sem seu consentimento real, muitas vezes se aproveitando da confiança de uma relação familiar. 

Diferente do que se imagina, a maior parte dos casos não vem de estranhos. Vem de dentro de casa, de gente que a pessoa idosa ama e em quem confia.

Como o abuso financeiro contra idosos acontece

Pode aparecer de formas bem diferentes. Um cartão usado sem autorização, uma assinatura falsificada em documentos, ou alguém que convence o idoso a assinar uma procuração, uma escritura ou um testamento sob pressão. Também é comum a promessa de cuidados vitalícios em troca de bens, um acordo que raramente é cumprido como prometido. 

Em muitos casos, o próprio idoso demora a perceber o que está acontecendo, porque confia em quem está cometendo o abuso.

Quem costuma cometer esse tipo de abuso

Na maioria das vezes, são cônjuges, filhos ou netos. Alguns se sentem no direito de tomar o que consideram herança antecipada. Outros agem por medo de que o patrimônio da família se perca com o custo de um tratamento de saúde. 

Há também casos ligados a jogo, dívidas ou outros problemas financeiros do próprio agressor, que usa o idoso como fonte de dinheiro fácil justamente por causa da proximidade e da confiança que existe entre eles.

Sinais que merecem atenção

Alguns sinais ajudam a identificar esse tipo de abuso antes que o dano seja maior. Mudanças repentinas em testamento ou procuração, sem explicação clara, costumam ser um alerta importante. Contas atrasadas, mesmo quando o idoso tem renda suficiente para pagá-las, também chamam atenção, assim como o aparecimento de uma pessoa nova, muitas vezes um cuidador ou um amigo recente, controlando de perto as finanças. 

Isolamento social recente, quando o idoso passa a ver menos os outros familiares e amigos, também pode ser parte do mesmo padrão de controle. Quando o próprio idoso parece confuso ou evasivo ao falar sobre dinheiro, vale investigar com cuidado, sem acusar, apenas perguntando com calma.

Um problema maior do que parece

Segundo o Disque 100, a violência financeira é a terceira mais comum contra idosos no Brasil, atrás apenas da psicológica e da negligência. Só nos quatro primeiros meses de 2026, as denúncias desse tipo de violência cresceram quase 30% em comparação com o mesmo período do ano anterior, somando cerca de 75 mil registros. Um número que, mesmo assim, ainda é considerado abaixo da realidade, já que muitos casos nunca chegam a ser denunciados.

Por que é tão difícil identificar

O vínculo familiar dificulta o reconhecimento do abuso, tanto pela vítima quanto por quem está ao redor. É comum o idoso minimizar a situação para proteger a relação com o filho ou o neto envolvido, ou sentir vergonha de admitir que está sendo explorado por alguém que deveria cuidar dele. 

Esse silêncio também costuma vir acompanhado de outras formas de abuso, como isolamento social ou pressão emocional, o que torna a situação ainda mais difícil de identificar de fora. Reconhecer isso não é acusar ninguém sem provas, é dar espaço para que a situação seja conversada com cuidado.

O que fazer

Se você desconfia que um idoso próximo está passando por isso, vale conversar diretamente com ele, sem pressa e sem julgamento, e buscar orientação antes de tomar qualquer atitude sozinho. O Disque 100 recebe denúncias de forma gratuita e anônima, também por aplicativo e site. 

Documentar qualquer decisão financeira importante e evitar deixar procurações abertas sem limite de uso também ajudam a prevenir esse tipo de situação antes que ela aconteça. O Estatuto do Idoso garante proteção legal específica contra esse tipo de abuso, e vale conhecer os direitos assegurados por ele. E, quando o abuso já deixou marcas emocionais na família toda, a psicoterapia de apoio pode ajudar tanto o idoso quanto quem está tentando entender como agir diante da situação.

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Sobre mim

Há anos trabalho com pessoas que chegam cansadas, confusas ou presas em situações que parecem se repetir. Muitas vezes, é aí que a terapia começa a fazer sentido.

Sou psicóloga (CRP 12/10214), especializada em Psicossomática e com formação em Psicanálise. Minha experiência em consultórios e clínicas me ensinou a escutar além das palavras, entendendo também o que aparece no corpo, nos hábitos e nas histórias que cada pessoa carrega.

Realizo atendimentos online e presenciais, no Brasil e no exterior, sempre com foco em bem-estar emocional, autoconhecimento e resolução de conflitos, dentro de uma prática ética e acolhedora.

Na análise conjunta da vida de cada um, buscamos as origens inconscientes dos conflitos, que nos facilitam elaborar novos caminhos, saindo da repetição.

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