O Candidato: o que o poder faz com a gente

Em época de eleições, vale a pena sentar diante desse suspense espanhol e se deixar desconfortar. O Candidato (2018), com Antonio de la Torre no papel do político Manuel, vai além do thriller de corrupção. É um estudo sobre o que acontece com um homem quando o partido, a família e a mídia exigem, cada um à sua maneira, que ele abandone a si mesmo.

O filme acompanha Manuel enquanto escândalos o envolvem, a opinião pública julga e as pessoas mais próximas passam a olhá-lo com estranheza. Não há vilão cartunesco. O filme aposta em algo mais perturbador: um processo lento, quase imperceptível, de adaptação.

Freud nos ensinou que o ego trabalha incessantemente para conciliar três exigências simultâneas: o que desejamos, o que a realidade permite e o que nossa consciência moral tolera. Quando essas três forças entram em colapso, o sujeito não desmorona de uma vez. Ele negocia. Cede aqui, racionaliza ali, convence a si mesmo de que as circunstâncias não deixaram outra saída. É esse processo que o filme captura com precisão clínica.

O que torna O Candidato rico é que ele não abandona Manuel no espaço público. Acompanhamos também o que acontece dentro de casa, nas relações com a família, nos momentos em que a performance cessa e resta o homem. É nesses instantes que o filme se torna mais honesto e mais difícil de assistir, porque nos obriga a reconhecer que a fronteira entre o que fazemos por necessidade e o que fazemos por escolha é muito menos clara do que gostaríamos de acreditar.

Saímos com poucas certezas e uma pergunta que insiste em ficar: numa situação assim, o que cada um de nós faria?

O Candidato está disponível em plataformas de streaming. Recomendo.

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Sobre mim

Há anos trabalho com pessoas que chegam cansadas, confusas ou presas em situações que parecem se repetir. Muitas vezes, é aí que a terapia começa a fazer sentido.

Sou psicóloga (CRP 12/10214), especializada em Psicossomática e com formação em Psicanálise. Minha experiência em consultórios e clínicas me ensinou a escutar além das palavras, entendendo também o que aparece no corpo, nos hábitos e nas histórias que cada pessoa carrega.

Realizo atendimentos online e presenciais, no Brasil e no exterior, sempre com foco em bem-estar emocional, autoconhecimento e resolução de conflitos, dentro de uma prática ética e acolhedora.

Na análise conjunta da vida de cada um, buscamos as origens inconscientes dos conflitos, que nos facilitam elaborar novos caminhos, saindo da repetição.

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